Richie Campbell: "Próximos cinco anos, para mim, são importantes"

Richie Campbell foi a figura principal da última noite da Receção ao Caloiro. Em entrevista após o concerto, o artista português falou das suas músicas, da passagem por Guimarães e do futuro da sua carreira.

AAUM: A noite correu como esperado?

Richie (RC) - Sem dúvida que correu. Estávamos à espera deste tipo de concerto e divertimo-nos todos.

AAUM - Como se lida com o facto de ser um dos mais popularizado cantores de reggae em Portugal?

RC - Lido bem porque trabalhamos muito pra chegar aqui, não somente como artista reggae, faço mais do que o reggae, não gosto que me ponham numa caixa de ser só um artista de reggae, mas foi por uma música de reggae que eu fiquei mais conhecido e é sempre bom ser um representante do reggae quando vou a espetáculos lá fora, é assim que sou recebido. Mas espero que cada vez mais me vejam como um artista que faz várias coisas.

AAUM: “In The 876”. Porque é que este álbum foi um marco na tua carreira?

RC - Depois dos meus primeiros dois álbuns, tentei fazer um álbum de reggae que eu achasse que era um álbum verdadeiramente bem feito e como já tinha alguma exposição e dinheiro - porque as outras músicas correram bem – consegui juntar os meios para fazer um álbum na Jamaica com pessoas que tem história, com músicos lendários. Tenho um saxofonista que tocou com o Bob Marley no álbum, portanto consegui fazer aquilo que eu queria com o disco por causa disso. Não é o meu álbum preferido, mas gostei por ser reggae bem feito, e feito na Jamaica e do mais verdadeiro possível.

AAUM - A “911 Band” ajudou a desenhar este álbum, a tornar as coisas mais reais?

RC - Este álbum sim, antes não. O primeiro álbum gravei sozinho em casa e o segundo gravei com a banda do Gentleman, na Alemanha, e este finalmente eu quis incluí-los e foram eles que gravaram a maior parte das músicas, porque eles também cresceram muito como músicos. Não havia, em Portugal, nenhuma banda de reggae como deve ser, e eles próprios demoraram tempo a evoluir, assim como eu demorei. E lá está, os outros álbuns, para mim, não eram o que eu queria a nível de estarem bem feitos, mas neste a “911 Band” foi uma ajuda muito importante.

AAUM - Completa a frase: “don’t you”...

RC - Give it all away on the first night... baby!

AAUM - Em todas as músicas que fizeste em toda a tua vida, qual aquela em que mais te revês e porquê?

RC - Essa é uma pergunta difícil! A música mais verdadeira que eu alguma vez escrevi na vida foi a “Blame It On Me”. Tu fazes muitas músicas em que tens uma ideia e desenvolves, e não é necessariamente... ou seja, tens a ideia e podes sentir aquilo e o resto já não estás. Mas a “Blame It On Me” foi a música em que, desde o início ao fim, foi tudo verdadeiro, por isso é que me identifico com ela.

AAUM - “Do You No Wrong” está a ser um sucesso. Porquê?

RC - Porque acho que é verdadeiramente das melhores músicas que já fiz. Fiquei satisfeito com a música e acho que é um estilo de música mais transversal, é o que as pessoas estão a ouvir agora. É soul e tem aquela sonoridade R&B mais moderna. E como as pessoas gostaram... isso aí as pessoas já sabem melhor do que eu.

AAUM - O que é que o futuro tem reservado para ti?

RC - Bem, eu na minha cabeça tenho um plano de cinco anos, em que vou estar dedicado 100% à música, a tocar o máximo possível, em todo o lado, todos os dias, para conseguir alcançar o meu objetivo, que não tem limites, mas é ser o melhor. Acho que é a única mentalidade que se pode ter quando se quer alcançar mais. Dito isto, hei-de chegar a uma idade em que não quero estar a fazer 50 ou 60 concertos por ano, e que vou acalmar um bocado, ter uma família que me vai ocupar mais tempo. A partir daí, se calhar, vou-me dedicar mais à nossa agência, a Bridgetown, para ajudar novos artistas, usando um bocado do que aprendi estes anos todos – e que continuo a aprender – para melhorar a carreira deles também. E depois dar cinco concertos por ano, no máximo, parar durante um bocado. Mas, sem dúvida que os próximos cinco anos, para mim, são importantes, e depois vou desaparecer um bocado.

AAUM - Que mensagem desejas deixar aos estudantes da Academia Minhota?

RC - A minha mensagem é que é importante que, quem começou agora a faculdade, estude e saiba que está cá e nem toda a gente tem a sorte de estar a tirar um curso. O mais importante é aproveitarem o tempo em que estão aqui para aprender o melhor possível para se prepararem para o que aí vem, porque se há uns anos atrás já não era fácil, hoje em dia muito menos. Ao mesmo tempo não se devem esquecer de se divertir com responsabilidade, mas não perder muito tempo com coisas que não interessam, porque depois chegamos a uma idade em que não temos noção da sorte que tivemos, nem do que perdemos pelo caminho.

 

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